Em todos os momentos da História, seja na Antiguidade, na Idade Média, ou no nosso tempo, são as mesmas paixões e os mesmos desígnios que inspiram os humanos. Entender a História é entender melhor a natureza humana.

29 janeiro 2015

O Mistério da Estrada de Sintra





Eça de Queirós não é de facto apenas o Eça de Os Maias, O Crime do Padre Amaro, ou O Primo Basílio. E, depois de ter lido o Defunto e A Ilustre Casa de Ramires, torno a afirmar: que bom haver Eça por descobrir! Quanto mais dele se lê, mais se constata quão completo ele era, experimentando novos formatos e narrativas. Foi pena ter falecido novo (na idade de cinquenta e quatro), quantas maravilhas literárias teria ainda produzido, se tivesse vivido mais uns vinte anos!

Este projeto, O Mistério da Estrada de Sintra, foi aliás levado a cabo em conjunto com Ramalho Ortigão. De qualquer maneira, a sua marca é bem visível, nomeadamente, na caracterização das personagens. A novidade, aqui, é tratar-se de um romance policial, com um grande mistério a envolver uma morte. Suicídio ou assassínio?

Esta é, portanto, uma nova experiência de leitura em Eça, pois alia a habitual descrição da sociedade e dos costumes ao suspense de um mistério por deslindar. Mais uma vez, há uma mulher adúltera com a marca de Flaubert, ou seja, compreensão para um ato, à época, inaceitável. As adúlteras, em Eça, nunca são mulheres devassas, ou condenáveis.

Para o género policial, porém, tenho um defeito a apontar: uma parte da narrativa demasiado longa, num dos flashbacks que nos põem a par do passado das personagens envolvidas.

Nota: li a versão ebook, em download gratuito, no Projecto Adamastor.



4 comentários:

Sara disse...

Também nunca me canso de descobrir as diferentes facetas do Eça...Puxa. Esse por acaso ainda não li, mas fiz o download...

Manuel Cardoso disse...

Foi o livro de Eça de que menos gostei. Tens razão em dizer que há descrições longas. Fastidiosas, mesmo.
Mesmo assim está lá a marca do génio

Cláudia da Silva Tomazi disse...

Excelente Cristina, gosto de mistério a desvendar.

Cristina Torrão disse...

Experimente, Sara! Quem gosta de Eça, também gosta deste ;)

Manuel, é mesmo isso. Mas eu apreciei muito esta vontade de experimentação, não pensei que Eça se aventurasse por estes caminhos. No blogue do Projecto Adamastor, há um texto, que não sei se foi escrito por Eça, ou por Ramalho de Ortigão, que expressa arrependimento pela escrita deste romance.
Podes ler aqui:

http://projectoadamastor.org/o-misterio-da-estrada-de-sintra-eca-de-queiros-e-ramalho-ortigao/

De qualquer maneira, como dizes, está lá a marca de génio. E, apesar dessas descrições fastidiosas, eu não descansei enquanto não se resolveu o mistério ;)

Beijinho, Cláudia :)