Em todos os momentos da História, seja na Antiguidade, na Idade Média, ou no nosso tempo, são as mesmas paixões e os mesmos desígnios que inspiram os humanos. Entender a História é entender melhor a natureza humana.

20 fevereiro 2013

Miss Austen Regrets


O talento da escrita: bênção ou maldição?
«Tantas personagens na minha cabeça, tantas histórias às quais gostaria de dar vida», diz Jane Austen neste filme, uma produção da BBC, ao constatar que padece de uma doença grave e que não viverá muito tempo.

Não chegou a completar 42 anos. E não foi só a angústia do muito que deixava por escrever que a atormentou. Sacrificou a sua vida por amor da escrita, pois sabia que, casando e tendo filhos, não arranjaria tempo para cumprir aquilo que entendia ser a sua maior paixão.

Arrependeu-se? É disto que trata este filme. Jane Austen recusou várias propostas de casamento, uma delas, de um vizinho rico. Começou por aceitar, mas mudou de ideias durante a noite e, no dia seguinte, foi-lhe dizer isso mesmo. Uma mulher inteligente, espirituosa e irónica, que sabia aconselhar as suas familiares e amigas, que as queria ver todas casadas com o homem certo, esquecendo-se dela própria, exatamente como a sua heroína Emma.


Mas, para Emma, a escritora arranjou aquilo a que se chama um final feliz, ao contrário dela própria, vivendo nesse dilema de dar voz aos seus sonhos, sem se livrar da sensação de ter desperdiçado a sua vida.

«A vida não é como os romances», diz a personagem que interpreta a mãe de Jane Austen, neste filme. «Os romances acabam com o casamento. Na vida real, é aí que tudo começa, que tudo passa a ser interessante». Jane Austen sabia. Mas não deixou de escrever livros em que o casamento com o homem certo era o objetivo primordial. Livros de encontros e desencontros, de paixões arrebatadas, de cálculos e oportunismos, de sentimentos contidos. Livros que nos continuam a encantar e a inspirar, passados duzentos anos. E, no entanto, parecem tão simples...

É essa a magia dos grandes escritores.




2 comentários:

Verniz Negro disse...

Olá, Cristina! Boa noite amiga. Um excelente post. Gosto imenso (como montes de pessoas) de Jane Austen. Livros com tantos séculos e que ainda hoje fazem suspirar e enternecer tanta gente. Tanto sentimento que nunca muda e tanto que deveria mudar ao fim de tanto tempo e não se sabe porque ainda continua incutido na mentalidade humana. Um beijinho muito grande. A minha profunda gratidão pelas visitas, as palavras e o teu carinho. Muito obrigado mesmo. Um beijinho e uma boa noite e resto de semana. Fátima Soares (Verniz Negro)

Cristina Torrão disse...

É isso mesmo, Fátima: Jane Austen fala de sentimentos que nunca mudam. É isso que aprecio. E também os hábitos sociais daquele tempo, que nos põem a pensar e que nos ajudam a entender porque somos como somos. E ela atinge-nos particularmente, a nós, mulheres, porque fala desse "mito" de encontrar o homem certo. Não era disso que tratava a série "Sex and the City"?
Claro que há algum kitsch nas suas obras. Mas não o há em todas as nossas vidas?
Obrigada pela visita, beijinho e um bom resto de semana também para ti :)