Em todos os momentos da História, seja na Antiguidade, na Idade Média, ou no nosso tempo, são as mesmas paixões e os mesmos desígnios que inspiram os humanos. Entender a História é entender melhor a natureza humana.

22 setembro 2012

25 de Abril - Documento



Descobri este livro em casa dos meus pais, em Junho passado. De resto, só é adquirível em antiquários ou nalgum leilão online. Foi escrito logo a seguir à revolução. A 1ª edição data de 5 de Maio de 1974. A 2ª edição, revista e aumentada (a que li), de 16 de Maio, saiu depois de ter sido anunciada a constituição do I Governo Provisório. Foi coordenado pelos jornalistas Afonso Praça, Albertino Antunes, António Amorim, Cesário Borga e Fernando Cascais.

Apesar de, à altura da revolução, eu ainda não ter completado os 9 anos, é incrível como este documento me avivou a memória. Lembro-me de muito mais do que imaginava e foi muito interessante, às vezes, até emocionante, ver, de repente, imagens a passarem-me diante dos olhos, vivências a tornarem-se atuais, como se não existissem quase quatro décadas a separá-las de mim.

Sensibilizou-me alguma ingenuidade. Tendemos a limitar o júbilo da revolução à liberdade adquirida, mas havia, igualmente, uma crença muito grande num país melhor, mais justo, em que ninguém passasse necessidades, nem fosse obrigado a emigrar, um aspeto que, atualmente, se torna muito significativo.

Há passagens que são verdadeiras pérolas. Transcrevo duas (para não me alongar):

«[Mário Soares] afirmou que, no esquema do socialismo democrático, ninguém se poderia considerar mais à esquerda do que o Partido Socialista, pelo que a chamada Esquerda Socialista também teria nele o seu lugar, de modo a fazer dele um partido forte, capaz de equilibrar forças com o Partido Comunista (…) Em resumo, considerou que existem três grandes forças com expressão política – os centristas, os socialistas e os comunistas».

Nota: centrista era, por exemplo, o PPD. Naquela altura, ainda não se falava em partidos de direita, conotada com o fascismo.

«O grupo constituído, entre outros, por Diogo Freitas do Amaral e Alberto Xavier, de que falámos no número anterior, continua em intensa actividade, de colaboração com Veiga Simão. Parece terem preparado em conjunto um “Programa de Governo” de 15 extensas páginas. Se é embrião de partido ou não, continua sem se saber, até porque eles preferem manter-nos confusos».

Ou seja, o nascimento do CDS ao vivo.

Uma autêntica viagem no tempo...

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